O sacrifício de animais era uma prática usada para pedir perdão a Deus e simbolizar a purificação dos pecados. No Velho Testamento, o sangue dos animais representava a vida oferecida no lugar do pecador. Com Jesus, essa prática acabou, pois Ele se tornou o sacrifício perfeito para a salvação e perdão de todos os nossos pecados.

O primeiro sacrifício de animais na Bíblia aconteceu com Adão e Eva. Depois que eles pecaram ao comerem do fruto proibido, Deus os vestiu com roupas de pele, o que sugere que um animal foi sacrificado. Mais tarde, em Gênesis, Caim e Abel fizeram ofertas a Deus. Abel ofereceu um animal em sacrifício, e Deus aceitou sua oferta.

No tempo de Moisés, Deus deu leis detalhadas a respeito dos sacrifícios ao povo de Israel. Os animais, como cordeiros, bois e pombas, eram oferecidos no Tabernáculo e, depois, no Templo de Jerusalém. O sacrifício de animais simbolizava que o pecado merecia a morte, mas Deus aceitava a vida do animal no lugar da do pecador.

Essa prática apontava para o sacrifício de Jesus Cristo na cruz, o Cordeiro de Deus (João 1:29). Segundo o Novo Testamento, a morte de Jesus foi o sacrifício definitivo pelos pecados da humanidade, tornando os sacrifícios de animais desnecessários.

Hoje, os cristãos creem que a salvação vem pela fé em Jesus Cristo, não por rituais e sacrifícios, pois Ele pagou o preço do pecado de uma vez por todas (Hebreus 10:10).

Tipos de sacrifícios de animais na Bíblia

Através dos registros no Velho Testamento, podemos entender como funcionavam esses sacrifícios de animais, quais tipos e o propósito de cada um:

Holocausto

  • O que era sacrificado: Um novilho, carneiro, cabrito, rola ou pomba (dependendo da condição financeira).
  • Propósito do sacrifício: Oferta voluntária para adoração e dedicação total a Deus. Representava a expiação geral dos pecados e a entrega completa a Deus.

Referência bíblica: Levítico 1; Levítico 6:8-13.

Oferta de cereais ou manjares

  • O que era oferecido: Farinha (a melhor possível), azeite, incenso e bolos sem fermento.
  • Propósito do sacrifício: Expressar gratidão a Deus pelos frutos da terra e pela provisão. Não era para expiação de pecados, mas sim uma oferta de louvor e gratidão.

Referência bíblica: Levítico 2.

Sacrifício de gratidão, pacífico ou de comunhão

  • O que era sacrificado: Novilho, carneiro ou cabrito, podendo incluir pão.
  • Propósito do sacrifício: Gratidão, fazer votos ou celebrar comunhão com Deus e com os outros. Parte do animal era comida pelos ofertantes.

Referência bíblica: Levítico 3; Levítico 7:11-21.

Sacrifício pelos pecados

  • O que era sacrificado: Pelo sumo sacerdote era sacrificado um novilho. Pela comunidade, um novilho. E por um líder, um Bode. Por uma pessoa comum era sacrificada uma cabra, cordeiro ou, em casos de pobreza, rolas ou pombas.
  • Propósito do sacrifício: Expiação de pecados cometidos por ignorância ou erro, não intencionais.

Referência bíblica: Levítico 4; Levítico 6:24-30.

Sacrifício pela culpa ou oferta de reparação

  • O que era sacrificado: Carneiro sem defeito.
  • Propósito do sacrifício: Expiação de pecados que envolviam prejuízo material ou danos ao próximo, exigindo também a restituição do dano com acréscimo de um quinto do valor do prejuízo.

Referência bíblica: Levítico 5:14-19; Levítico 7:1-10.

Sacrifício do dia de expiação

  • O que era sacrificado: Dois bodes eram sacrificados, um como oferta pelo pecado e outro como “bode expiatório” (sobre o qual os pecados do povo eram simbolicamente colocados e depois era solto no deserto).
  • Propósito do sacrifício: Expiação dos pecados de toda a nação de Israel, realizado uma vez por ano pelo sumo sacerdote.

Referência bíblica: Levítico 16.

Por que Deus exigia sacrifícios de animais na Bíblia

Na Bíblia, Deus pediu sacrifícios de animais como parte da adoração e para perdoar os pecados do povo. No tempo de Moisés, Deus deu regras claras sobre os sacrifícios, registradas no livro de Levítico.

Havia diferentes tipos de ofertas, como os holocaustos, sacrifícios de paz e ofertas pelos pecados. Esses rituais mostravam que o pecado tinha um preço e que o sangue do animal simbolizava a purificação do povo. Uma vez por ano, no Dia da Expiação, o sumo sacerdote oferecia sacrifícios pelo perdão de toda a nação.

Todos esses sacrifícios apontavam para Jesus Cristo, cujo sacrifício na cruz tornou-se a oferta definitiva pelos pecados da humanidade. Com sua morte, o sistema sacrificial tornou-se obsoleto, pois Ele cumpriu toda a lei. Assim, o Velho Testamento usava os sacrifícios como um apontamento do que viria, preparando o caminho para a redenção em Cristo.

Porque já não sacrificamos animais como no Velho Testamento

Não sacrificamos mais animais como no Velho Testamento porque Jesus Cristo fez o sacrifício perfeito e definitivo.

Em Hebreus 10, a Bíblia explica que os sacrifícios antigos eram apenas uma “sombra” do que viria, pois o sangue de animais não podia realmente tirar os pecados (Hebreus 10:1-4). Esses sacrifícios precisavam ser repetidos constantemente, mostrando serem insuficientes para trazer perdão completo.

Jesus, porém, ofereceu-se como sacrifício único e perfeito. Ele veio ao mundo para cumprir a vontade de Deus e oferecer seu próprio corpo como pagamento pelos pecados de toda a humanidade (Hebreus 10:5-10). Ao morrer na cruz, Ele pagou o preço definitivo e, ao ressuscitar, provou que sua obra estava completa.

Diferente dos sacerdotes do Velho Testamento, que sacrificavam repetidamente, Jesus ofereceu-se uma única vez e agora está à direita de Deus, intercedendo por nós (Hebreus 10:11-14).

Por isso, não precisamos mais de sacrifícios de animais. Quem crê em Cristo recebe o perdão total dos pecados e pode se aproximar de Deus com confiança (Hebreus 10:17-22). Jesus foi o sacrifício perfeito que cumpriu toda a lei e trouxe a salvação definitiva.

Jesus: O sacrifício perfeito

Os sacrifícios de animais eram uma prática importante para a expiação dos pecados, mas nenhum sacrifício conseguia limpar completamente o pecado da humanidade. Por isso, Deus enviou Seu Filho, Jesus, como o sacrifício perfeito.

"Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.
- João 3:16

Diferente dos animais sacrificados, que eram temporários e limitados, Jesus ofereceu a Si mesmo de forma voluntária, eterna e sem defeito. Ele se entregou por amor à humanidade, cumprindo a promessa de um Redentor que traria perdão definitivo para os pecados.

A morte de Jesus na cruz foi o cumprimento das profecias do Velho Testamento, representando o fim dos sacrifícios de animais. Seu sacrifício foi único, pois Ele, sendo sem pecado, não precisava expiar por Si mesmo, mas fez isso por todos nós.

Em Sua morte, a justiça de Deus foi plenamente satisfeita, oferecendo perdão e reconciliação com Deus a todos os que creem Nele. Jesus é o sacrifício perfeito, que nos liberta do pecado eternamente e nos dá acesso direto a Deus.

Saiba mais sobre a crucificação e morte de Jesus.

Levítico 22: Passagem da Bíblia sobre o sacrifício de animais na Bíblia

Disse o Senhor a Moisés: Diga o seguinte a Arão e a seus filhos e a todos os israelitas: Se algum de vocês - seja israelita, seja estrangeiro residente em Israel -, apre­sentar uma oferta como holocausto ao Senhor - quer para cumprir voto, quer como oferta voluntária -, a­presentará um macho sem defeito do rebanho, isto é, um boi, um carneiro ou um bode, a fim de que seja aceito em seu favor.

Não tragam nenhum animal defeituoso, porque não será aceito em favor de vocês. Quando alguém trouxer um animal do gado ou do rebanho de ovelhas como oferta de comunhão para o Senhor, em cumprimento de voto ou como oferta voluntária, o animal, para ser aceitável, não poderá ter defeito nem mácula.

Não ofereçam ao ­Senhor animal cego, aleijado, mutilado, ulceroso, cheio de feridas purulentas ou com fluxo. Não coloquem nenhum desses animais sobre o altar como ofer­ta ao Senhor, preparada no fogo. To­davia, poderão apre­sentar como oferta voluntária um boi ou um carneiro ou um cabrito deformados ou atrofiados, mas no caso do cumprimento de voto não serão aceitos.

Não poderão oferecer ao Senhor um animal cujos testículos estejam machucados, esmagados, despedaçados ou cor­tados. Não façam isso em sua própria terra nem aceitem animais como esses das mãos de um estrangeiro para oferecê-los como alimento do seu Deus. Não serão aceitos em favor de vocês, pois são deformados e apresentam defei­tos.

Disse ainda o Senhor a Moisés: Quando nascer um bezerro, um cordeiro ou um cabrito, ficará sete dias com sua mãe. Do oitavo dia em diante será aceito como oferta ao Senhor preparada no fogo. Não matem uma vaca ou uma ovelha ou uma cabra e sua cria no mesmo dia.

Quando vocês oferecerem um sacrifí­cio de gratidão ao Senhor, ofereçam-no de maneira que seja aceito em favor de vocês. Se­rá comido naquele mesmo dia; não deixem nada até a manhã seguinte. Eu sou o Senhor. Obedeçam aos meus mandamentos e ponham-nos em prática. Eu sou o Senhor.

Não profanem o meu santo nome. Eu serei reconhecido como santo pelos israelitas. Eu sou o Senhor, eu os santifico, eu os tirei do Egito para ser o Deus de vocês. Eu sou o Senhor.

- Levítico 22: 17-33

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