Lucas 23:34 registra a primeira fala de Jesus na cruz: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." Esse pedido, feito em meio à agonia física e à zombaria pública, revela o segredo da vida espiritual de Cristo. Pregar essa cena durante a Ceia do Senhor é convidar a congregação a olhar não só para o sacrifício de Jesus, mas também para a comunhão que tinha com o Pai, que o sustentou até o fim.

Tema: A necessidade de uma profunda comunhão com Deus

Objetivo: Levar os ouvintes a tomarem a decisão de buscar diariamente uma intimidade com Deus.

Mensagem central: Como Jesus, devemos cultivar uma comunhão com Deus tão real que nos sustente nos momentos de aflição.

Texto base: Lucas 23:34

Versículo-chave: Lucas 23:34a

Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.
- Lucas 23:34a, ACF

Introdução

O sofrimento de Jesus na cruz foi de intensa agonia física e emocional. Os instintos de um homem comum, naquela situação, bloqueariam o raciocínio: a reação natural seria lutar ou fugir.

Com Jesus foi diferente. Em meio à dor, Ele conseguiu dizer: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." O segredo estava numa intimidade com o Pai cultivada todos os dias. Mesmo no momento mais cruel, Jesus superou seus instintos humanos e nos deixou um grande testemunho da vida espiritual que deve marcar quem segue a Cristo.

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Contextualização

A frase "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" é a primeira das sete palavras de Jesus na cruz. Aparece logo após a fixação na cruz, no monte chamado da Caveira, em aramaico Gólgota. Jesus está em agonia, despido publicamente, alvo de zombaria dos soldados e dos líderes religiosos.

O texto está no evangelho de Lucas, que dá atenção especial à compaixão de Jesus pelos sofredores e excluídos. Só Lucas registra essa oração de Jesus por aqueles que o matavam, o diálogo com o ladrão arrependido e o clamor final de entrega ao Pai. A intercessão pelo agressor é traço típico da narrativa lucana, e revela algo central sobre quem Jesus era.

4 lições sobre uma comunhão com Deus que sustenta

1. Jesus tinha visão espiritual dos acontecimentos

Não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.
- 2 Coríntios 4:18, ACF

Ao dizer "Pai", Jesus estava mostrando haver alguém ali, que os outros não estavam vendo. As pessoas só enxergavam a cruz, os pregos, o sangue, os gemidos. Jesus enxergava o Pai.

Esse mesmo princípio aparece quando Jesus respondeu aos fariseus sobre o Reino de Deus: "O Reino de Deus não vem com aparência exterior [...] porque eis que o Reino de Deus está entre vós" (Lucas 17:20-21, ACF). É a visão que enxerga o que está oculto aos olhos comuns. Paulo descreveu a mesma realidade a partir da própria experiência: as coisas que se veem são temporais, mas as que não se veem são eternas.

Muitas vezes estamos tão focados nas circunstâncias que não conseguimos ver o agir de Deus. A visão espiritual treinada nos dias comuns é o que nos sustenta quando a dor chega.

Prática: Identifique uma situação que tem ocupado seus pensamentos esta semana. Reserve cinco minutos hoje para orar, pedindo a Deus que mostre a você o que está acontecendo no plano invisível dela.

2. Jesus possuía intimidade real com o Pai

E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também. Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.
- João 5:17-18, ACF

Jesus havia sido acusado pelos judeus de se declarar igual a Deus, porque chamava Deus de seu próprio Pai. Não era uma forma de tratamento ritual: era uma relação de filiação real, cultivada todos os dias.

Essa intimidade ficou evidente, e não se esvaziou, na cruz do Calvário. Quando o sofrimento chegou ao limite, a primeira palavra de Jesus não foi um grito de revolta, foi um "Pai". É assim que falamos com quem conhecemos de perto.

As dificuldades da vida revelam se temos, ou não, intimidade com Deus. Quem só fala com o Pai nas crises não conhece o Pai. Quem fala com Ele todos os dias chama por Ele com naturalidade quando a vida aperta.

Prática: Dedique um momento específico do seu dia, ainda esta semana, para conversar com Deus como você falaria com um amigo de confiança. Sem fórmulas, sem lista de pedidos, só presença.

3. Jesus vivenciava o amor verdadeiro pelas pessoas

Disse mais o Senhor a Moisés: Tenho visto a este povo, e eis que é povo de dura cerviz. Agora, pois, deixa-me, para que o meu furor se acenda contra ele, e o consuma; e eu farei de ti uma grande nação.
- Êxodo 32:9-11, ACF

Jesus intercedeu pelos que o crucificavam diante da possível ira do Pai. É o mesmo gesto que Moisés fez algumas vezes pelo povo de Israel. Em Êxodo 32, quando Deus disse que destruiria o povo por causa do bezerro de ouro, Moisés se pôs entre Deus e o povo. É o coração do intercessor: ficar no meio, segurando o juízo, suplicando perdão.

Jesus é o nosso grande sacerdote sobre a casa de Deus (Hebreus 10:21, ACF). Aquilo que Moisés fez de forma parcial, Cristo faz de forma definitiva: intercede pelos que erram, mesmo quando os que erram são os que o crucificam.

A pessoa que ama verdadeiramente consegue interceder até pelas pessoas que lhe causam dor e aflição. Interceder por alguém que nos faz o mal é uma demonstração de amor verdadeiro. Não conseguimos odiar uma pessoa e, ao mesmo tempo, orar por ela.

Prática: Pense em alguém que tem causado dor a você no último mês. Esta semana, ore especificamente por essa pessoa, não pedindo justiça contra, mas bem para. Observe o que acontece com seu coração ao longo dos dias.

4. Jesus perdoava sinceramente seus agressores

Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.
- Efésios 4:32, ACF

O perdão independe dos sentimentos. É um ato de obediência e fé diante de Deus, não a consequência natural de uma emoção. A vontade vem primeiro; o sentimento, quando vem, vem depois.

Um recurso para conseguir perdoar com sinceridade é compreender as limitações daqueles que nos ofenderam. Quando enxergamos a fragilidade do outro, sua história, suas dores, sua cegueira espiritual, a imagem "monstruosa" que tínhamos dele se desfaz. Foi o que Jesus fez na cruz: reconheceu que os que o feriam não sabiam o que estavam fazendo.

Paulo aplicou esse princípio à vida da igreja, exortando os crentes a serem benignos e misericordiosos, perdoando uns aos outros como Deus em Cristo os perdoou. O ressentimento e a mágoa são grandes empecilhos, não há comunhão verdadeira com Deus quando o coração está fechado para um irmão.

Prática: Pense numa ofensa específica que ainda dói em você. Hoje, em voz alta ou por escrito, declare: "Eu escolho perdoar [nome] por aquilo que fez, como Deus me perdoou em Cristo." Repita pelos próximos sete dias, até que a vontade alcance o sentimento.

Conclusão

Mesmo diante de intensa agonia, Jesus superou seus instintos humanos de preservação e retaliação. Olhou para o Pai, manteve a intimidade, amou os que o crucificavam, perdoou com sinceridade. Essas quatro marcas formam o retrato de uma comunhão que não se improvisa na hora da dor; ela se cultiva no dia comum.

Como Jesus, você é chamado a desenvolver essa mesma comunhão com Deus. Não para superar a cruz, mas para superar as dores da vida cotidiana, as ofensas, as frustrações, as decepções, as injustiças. São os momentos de aflição que revelam se vivemos uma fé verdadeira ou se apenas mantemos uma religiosidade de fachada.

A Ceia que você vai partilhar hoje é o lugar exato para essa decisão. Peça perdão ao Senhor pela parte de você que ainda resiste a Ele. Clame para que Ele o encha do Seu Espírito. E, ao tomar o pão e o cálice, comprometa-se com uma vida que, quando ferida, ainda sabe dizer: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem."

Para o pregador:

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